Na cidade de Elaria, uma pequena e subdesenvolvida localidade em GranMundo, vivia Theo Mondfreud, um jovem de 17 anos marcado por um passado sombrio e doloroso. Ele era filho dos únicos alquimistas da cidade, o casal Mondfreud, cujos nomes eram sussurrados com desconfiança e medo entre os habitantes. Elaria, localizada nas fronteiras mais distantes de GranMundo, era uma cidade atormentada por ataques constantes de criaturas das trevas. Acreditava-se que essas invasões estavam de alguma forma ligadas ao casal Mondfreud, que, por serem alquimistas, eram vistos com olhos desconfiados pelos cidadãos supersticiosos.
Em uma noite tempestuosa, quando relâmpagos cortavam o céu e trovões sacudiam as janelas, os Mondfreud foram encontrados mortos em sua própria casa, seus corpos marcados por símbolos de magia das trevas. Os moradores de Elaria não demoraram a culpar o casal, alimentando a crença de que eles haviam trazido a desgraça sobre a cidade. Mas o que ninguém conseguia explicar era como Theo, um garoto então com apenas 7 anos, sobreviveu àquela noite. Alguns acreditavam que seus pais, em um último ato de amor, haviam usado suas habilidades alquímicas para protegê-lo, embora o método exato permanecesse um mistério.
Após a morte de seus pais, Theo foi deixado para enfrentar a hostilidade da cidade sozinho. Tentou, por diversas vezes, fazer amigos, mas a desconfiança e o medo que cercavam o nome Mondfreud o acompanharam como uma sombra. As crianças de Elaria o evitavam, e quando não o faziam, era apenas para enganá-lo ou ridicularizá-lo. Theo cresceu isolado, sem nunca conhecer o que era uma verdadeira amizade. Esse isolamento moldou um jovem curioso e carismático, mas profundamente solitário.
Na tentativa de sobreviver e se sustentar, Theo se dedicou à arte da escultura, uma habilidade que havia aprendido com seu pai. Suas mãos habilidosas esculpiam pedras e madeira com uma precisão impressionante, e sua fama como escultor começou a crescer, mesmo que sua vida social permanecesse vazia. Foi essa habilidade que chamou a atenção de Gerold, um anão metalúrgico que havia chegado a Elaria anos antes, em busca de oportunidades para oferecer seus serviços na criação de armas e artefatos. Gerold, diferente dos outros habitantes, não nutria preconceitos contra Theo. Ele não era nativo de Elaria e via a cidade com uma perspectiva diferente. Por isso, ofereceu ao jovem uma chance de trabalhar em sua oficina, mais como um chefe exigente do que como um amigo.
Apesar da relação profissional com Gerold, Theo ainda se sentia sozinho. Sua vida mudou drasticamente quando, em uma de suas explorações curiosas pelas ruínas da antiga Torre do Mago — uma estrutura em ruínas, frequentemente vazia e parcialmente destruída pelos ataques das criaturas das trevas —, ele encontrou algo que mudaria seu destino para sempre: o Grimório dos Ventos. Este livro, considerado por muitos como uma lenda, era um artefato de imenso poder. Alguns acreditavam que, se ele tivesse realmente existido, já teria sido destruído há muito tempo. Mas ali estava ele, oculto em uma passagem subterrânea, esperando para ser descoberto.
Theo, que desconhecia o verdadeiro valor e poder do Grimório, começou a estudar suas páginas. Ele se deparou com instruções para criar um golem, uma criatura mítica feita de pedra, animada através da alquimia. Determinado a não estar mais sozinho, Theo decidiu que usaria o Grimório para criar um companheiro. Contudo, ele queria que seu golem fosse diferente, mais resistente e duradouro. Lembrou-se então de uma das suas mais impressionantes transmutações: havia conseguido transformar um simples topázio em Orinita, um dos minérios mais raros e resistentes de GranMundo. Armas e escudos feitos de Orinita eram indestrutíveis e valorizados por aventureiros e metalúrgicos.
Usando a Orinita que ele mesmo havia criado, Theo seguiu as instruções do Grimório e, após várias tentativas, finalmente deu vida a Orin, o golem de pedra. Mas Orin não era apenas uma criatura sem alma ou vontade. De alguma forma, talvez pelo talento excepcional de Theo em alquimia, Orin desenvolveu consciência, sentimentos e, com o tempo, até mesmo a capacidade de falar. Theo havia finalmente encontrado um amigo verdadeiro, alguém em quem ele podia confiar, algo que ele nunca havia conseguido encontrar entre os habitantes de Elaria.
Orin era mais do que uma simples criação. Ele era a personificação da solidão de Theo e o resultado de suas esperanças e desejos mais profundos. A criação de Orin marcou o início de uma nova jornada para Theo, onde ele finalmente teria alguém ao seu lado para enfrentar os desafios que o aguardavam em GranMundo, em um mundo onde a alquimia, magia, e o mistério se entrelaçavam em cada esquina.

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